quarta-feira, 31 de março de 2010

A Confissão de Lúcio

O conto A confissão de Lúcio é uma das obras mais importante de Mário de Sá-Carneiro porque contem três das suas obsessões dominantes: o suicídio, o amor pervertido e o anormal avançando até a loucura.
O conto narra a história de um triângulo - Lúcio, Marta, Ricardo - onde os estudiosos vêem em Ricardo o outro de Lúcio, e Marta a ponte de ligação entre eles.
Apresentada sob a forma de romance policial, a exemplo das novelas fantásticas de Edgar Poe, o conto inicia com uma breve introdução, em que o narrador, Lúcio, assumindo-se como autor, justifica o seu objectivo: confessar-se inocente após ter cumprido os dez anos de prisão a que fora condenado por assassínio de um amigo, Ricardo de Loureiro. O narrador promete dizer toda a verdade, "mesmo quando ela é inverossímil", sobre essa morte ocorrida em circunstâncias misteriosas e sem testemunhas, mas considerada judicialmente "crime passional".
Por ser um texto de vanguarda, já que o autor se empenhou na busca de novos significantes numa ruptura com o modelo centrado no código princípio-meio-fim, esta obra de ficção continua aberta a novos estudos.
É a narrativa que "para todos os efeitos" faz arrancar "o cânone contemporâneo, português e homossexual", segundo o crítico e escritor Eduardo Pitta, em "Fractura" (ed. Angelus Novus, 2003; pág. 12).

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